sábado, 29 de agosto de 2009

Altamiro Borges: o ataque covarde da IstoÉ à Venezuela

Na edição desta semana, a revista IstoÉ, famosa por suas capas sensacionalistas e reportagens difamatórias, aprontou mais uma das suas. No artigo “O lobista de Chávez”, ela desferiu um ataque covarde contra o jornalista Carlos Alberto de Almeida, reconhecido por sua militância internacionalista e por seu compromisso com a ética jornalística.

Por Altamiro Borges, em seu blog
Descaradamente marcarthista, o texto insufla a perseguição política: “Jornalista brasileiro trabalha no Senado, mas faz hora extra para defender os interesses da Venezuela”. Nela, o senador tucano Álvaro Dias aparece pregando a apuração sobre a “dupla militância do funcionário”. Só falta pedir a sua demissão!
Para a revista, que nunca escondeu o seu ódio à revolução bolivariana, Beto Almeida seria um inimigo da “liberdade de expressão” por defender as medidas de Hugo Chávez contra a ditadura midiática. A fonte principal da IstoÉ é Sociedade Interamericana de Prensa (SIP), a máfia dos barões da mídia que não tolera qualquer restrição legal à “libertinagem de imprensa”.
O texto também desfere duro ataque à Telesur, “a emissora criada para se contrapor à rede americana CNN na América Latina”. Beto Almeida é membro do seu conselho diretivo, “seguindo à risca a cartilha do caudilho venezuelano”, esbraveja a revista.

Temores da mídia colonizada
Na prática, o rancoroso artigo visa atingir o presidente Hugo Chávez, num momento em que o parlamento brasileiro discute a adesão da Venezuela ao Mercosul. Ele também procura evitar o fortalecimento da Telesur, que já agrega vários países do continente e realiza o contraponto à mídia colonizada pelos EUA. A IstoÉ chega a alertar os reacionários de plantão. “Até agora, a emissora funciona de forma precária, quase na informalidade. Mas, aos poucos, Beto avança no lobby pelos ideais bolivarianos. Já emplacou, por exemplo, a programação da Telesur na grade do Canal Comunitário de Brasil, a ‘TV Cidade Livre’, da qual é presidente. E está costurando um convênio entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Telesur”.
No seu reacionarismo inconsistente e leviano, a IstoÉ joga farpas para todos os lados. Ataca o governo de Roberto Requião (PMDB), que retransmite a Telesur na TVE do Paraná, e critica a militância de Beto Almeida em defesa do “repasse das verbas públicas para emissoras públicas e comunitárias”. De forma marota, ela aproveita o episódio para se contrapor à 1ª Conferência Nacional de Comunicação. A revista não tolera a diversidade e pluralidade informativas e rejeita qualquer ação que vise enfrentar a concentração e a manipulação midiáticas. Para ela, a militância de Beto Almeida é incompatível “com os princípios da liberdade de expressão”.

“IstoÉ Daniel Dantas”

A publicação semanal da Editora Três já é bem conhecida por seu jornalismo sensacionalista e mercenário, sempre na busca insana por aumento de tiragem e de lucros. Em fevereiro passado, no texto intitulado “Stédile, o intocável”, ela procurou justificar a repressão às 270 famílias de sem-terras acampadas numa fazenda em Eldorado da Carajás (PA), adquirida ilegalmente pelo Grupo Opportunity, controlado pelo mega-especulador Daniel Dantas. A agressão ao líder do MST teve como objetivo criminalizar a luta pela reforma agrária e defender o banqueiro.
Na ocasião, o MST respondeu a altura no texto intitulado “IstoÉ Daniel Dantas”. Lembrou que a revista “atua como títere dos poderosos, ao passo que se distancia do compromisso com a sociedade e a ética jornalística”. Destacou que ela faz o papel de advogado do bandido e que evita noticiar as sujeiras de Daniel Dantas, “preso em julho passado durante a operação da Polícia Federal por prática de crimes financeiros e de desvio de verbas públicas”.
E ironizou: “Resta saber se o conteúdo da reportagem é fruto de um trabalho investigativo competente ou se deve ao curioso fato de que a IstoÉ é publicada pela Editora Três, que por sua vez também é controlada pelo banqueiro Daniel Dantas. Desde 2007, ele possui 51% das ações da editora”.

Japoneses vão às urnas neste domingo

Eleições legislativas podem acabar com hegemonia conservadora no Japão. Novo primeiro-ministro do país será escolhido



Mais de 1.300 candidatos de 12 partidos concorrem neste domingo (30) a uma das 480 cadeiras da Câmara dos Deputados do Japão - que por sua vez escolhe o novo primeiro-ministro do país. Com a oposição à frente nas pesquisas de intenção de voto, analistas apontam que a votação será histórica já que pode romper com meio século de hegemonia conservadora.
De acordo com as pesquisas, o Partido Liberal Democrata (PLD, direita) do primeiro-ministro, Taro Aso, está mais de 10 pontos percentuais atrás do principal movimento de oposição, o Partido Democrata do Japão (PDJ), dirigido por Yukio Hatoyama.
Contudo, a poucos dias da eleição, as enquetes apontavam até um terço de eleitores indecisos.
Na Câmara dos Deputados, o PLD e seu aliado, o Novo Komeito, tinham uma ampla maioria de 334 cadeiras desde as eleições de 2005 --vencidas com folga graças à popularidade do primeiro-ministro da época, Junichiro Koizumi.
No entanto, apenas três anos depois, o cargo foi ocupado por três primeiros-ministros (Shinzo Abe, Yasuo Fukuda e Taro Aso) que não conseguiram impedir o declínio do poderoso PLD. O partido governa o Japão há 54 anos, com exceção de uma breve interrupção de 10 meses entre 1993 e 1994.
Os conservadores, que já perderam o controle do Senado em 2007, parecem resignados à derrota. Contudo, eles querem impedir o PDJ, que obteve 112 cadeiras em 2005, de conquistar a maioria absoluta de 241 cadeiras na Câmara dos Deputados.
Se o PDJ não conseguir a maioria absoluta, terá de se aliar a outros pequenos partidos para formar uma maioria.

Campanha
O anúncio, no último dia 17, de uma retomada do crescimento após cinco trimestres de recessão é um ponto positivo para Aso --que baseou sua campanha no "senso das responsabilidades", frente a um PDJ criticado por sua inexperiência do poder.
No último dia 18, Aso, 68, um rico nacionalista, fez seu primeiro discurso de campanha em Hachioji, 40 km a oeste de Tóquio. Instalado no teto de uma caminhonete, o primeiro-ministro fez um discurso para mil pessoas reunidas diante da estação de trens.
"Tenho que admitir que o governo não deu a devida atenção" às desigualdades sociais e à pobreza, declarou. "Agora, estamos levando estas questões a sério", afirmou.
Aso falou ainda dos sinais animadores de recuperação econômica no Japão, atribuindo o mérito da volta do crescimento a seus quatro planos orçamentários.
"Nossas medidas econômicas estão dando frutos", enfatizou, destacando, porém, que sua política econômica "ainda está no meio do caminho".
Hatoyama, 62, herdeiro de uma rica dinastia política frequentemente comparada à família Kennedy, foi a Osaka, a grande metrópole do oeste do país, para falar do "novo Japão" que quer criar.
"Chegou a hora de mudar a história do Japão. Com coragem, vamos instalar uma nova política focalizada em cada um de vocês. Por favor, ajudem o PDJ a mudar o poder", declarou.
O PDJ pretende se aproveitar da insatisfação dos japoneses, preocupados com o aumento do desemprego e a precariedade de trabalho, seduzidos pelo conceito de "política diferente", mais próxima das pessoas.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Cheney diz que investigar CIA é ação "política"

O escândalo sobre as torturas praticadas pela CIA não tem prazo para terminar. Depois que o Departamento de Justiça dos EUA nomeou um promotor especial para investigar os casos mais extremos de maus-tratos a prisioneiros, Washington se prepara para a batalha política que se avizinha, enquanto as organizações de direitos humanos e a própria ONU querem uma investigação exaustiva.
Criticando a decisão da administração Obama, o ex-vice-presidente Dick Cheney, um enérgico defensor das políticas agressivas da administração Bush, disse que a informação obtida pela CIA mediante a tortura "salvou vidas".
As revelações, contidas num amplo relatória da própria CIA divulgado ontem, exacerbou as discussões políticas. Os democratas denunciam a "normalização" da tortura e os republicanos afirmam que "os fins justificam os meios" e que as "técnicas intensivas" autorizadas pela administração Bush ajudaram a "desmantelar novos atentados".
Para Cheney, os detidos que foram submetidos à asfixia simulada (waterboarding) "ajudaram a deter outros militantes da al-Qaida", trovejou.

Bush, versão 2.0
No outro lado do espectro político, organizações de direitos civis, que contribuiram para desclassificar o relatório, exigem que Obama cumpra com a promessa de acabar com as práticas da administração republicana.
"O presidente se comprometeu a colocar um fim à tortura e outras medidas ilegais. Mas enquanto não ficar claro que as leis serão cumpridas energicamente, suas palavras não serão dignas de crédito e suscitarão o fantasma Bush 2.0", declarou o diretor-executivo da organização Anistia Internacional, Larry Cox.
"O relatório demonstra que é mais importante que nunca estabelecer uma investigação completa e independente, com todo o rigor da lei, para colocar em evidência e exigir responsabilidades aos que encarregaram, projetaram e aplicaram métodos antiterroristas ilegais", disse Cox.
Cheney voltou à carga nesta terça-feira, declarando que "a decisão do presidente Obama, de permitir ao Departamento de Justiça que investigue e possivelmente processe funcionários da CIA, e sua decisão de ultrapassar a autoridade para interrogar da CIA à Casa Branca, serve como uma lembrança, se era preciso alguma, de porque tantos americanos tem dúvidas sobre a capacidade desta administração de ser responsável pela segurança de nossa nação".
Navi Pillay, do Conselho de Direitos Humanos da ONU, declarou que os EUA deveriam pagar indenizações às pessoas que manteve detidas sem acusações ou que foram torturadas. "Algumas pessoas perderam sete anos de suas vidas e podem ter ficado severamente prejudicadas do ponto de vista psicológico, físico e econômico, simplesmente porque estavam na hora e no lugar errados", disse.

Micheletti recebe missão da OEA e insiste em realizar eleições

Isolado pelo mundo, o atual presidente de Honduras, Roberto Micheletti, tem ignorado as manifestações internacionais contrárias ao golpe e à sua manutenção no poder. Nesta terça-feira, ele disse à missão de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) que, em 29 de novembro, "haverá eleições, reconheçam os países do mundo ou não".
"Vamos ter eleições no dia 29 de novembro. Eu peço a Deus que sejam maciças. Estamos incitando a população para que todo mundo vote, para que garantamos que neste país queremos viver em democracia", afirmou Micheletti, ironicamente, durante uma reunião na Casa Presidencial com a missão de chanceleres da OEA.
Micheletti também afirmou que, em Honduras, os três poderes do Estado "estão trabalhando, cumprindo com suas obrigações". Disse ainda que não tem "medo do embargo de ninguém" e que já "analisamos com toda tranquilidade, com toda firmeza, que este país pode seguir adiante, mesmo sem o apoio dos senhores e de outros países".
"Sabemos que vamos sofrer consequências graves, já nos enviaram as mensagens, mas temos fé no supremo criador, que não vai nos deixar sós, temos fé em Deus de que a posição de nosso país é simplesmente defender nossa democracia", ressaltou Micheletti, disposto a colocar em risco o país e seu povo, que podem sofrer na pele as sanções que o mundo impõe a Honduras, à medida que não reconhece o governo de fato.
Decidido a disparar contra os governos progressistas da região, o líder do governo autoproclamado afirmou, além disso, que se hoje estivessem "sob a poder do senhor Hugo Chávez (presidente da Venezuela), infelizmente aqui não haveria liberdade absoluta" para poder manter um "fórum" como o com os chanceleres da OEA.
Micheletti disse aos representantes da OEA que tem "muita fé nas eleições", que "nos propusemos a realizar como Governo da República, como Tribunal Supremo Eleitoral".
"Eu só quero pedir aos senhores, (...) com todo meu respeito que, por favor, escutem o povo, por favor, escutem as organizações que tremiam de medo antes do dia 28 de junho, mas que tinham medo de exteriorizar o que realmente estava acontecendo", acrescentou, ignorando o fato de que, há quase dois meses, os hondurenhos estão nas ruas, em um movimento pacífico de resistência ao golpe, apesar da violenta repressão.
Micheletti reiterou à missão que não houve golpe de Estado em Honduras contra Manuel Zelaya, no dia 28 de junho, mas uma "substituição constitucional". Acrescentou que "nenhum presidente de nenhum poder do Estado tem o direito de fazer o que se pretendia fazer" em Honduras, em alusão a Zelaya, que promovia um referendo popular, com o objetivo de reformar a Constituição.
A representação da OEA chegou ontem a Honduras, para uma visita de dois dias a Tegucigalpa, onde se reuniu com representantes de diversos setores sociais para buscar uma solução pacífica à crise política hondurenha, no marco do Acordo de San José, impulsionado pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias.

Sansão dos Estados Unidos

Nesta terça, os Estados Unidos anunciaram mais uma medida para pressionar à normalização da situação hondurenha. O país divulgou que vai suspender, a partir desta quarta-feira, seu serviço de concessão de vistos em Honduras, com exceção dos casos emergenciais. A ideia é favorecer uma saída negociada para a crise, depois do golpe de Estado que depôs o presidente Manuel Zelaya, anunciou o Departamento de Estado.
Como apoio à atual missão de chanceleres da região em Tegucigalpa, o Departamento de Estado decidiu "revisar totalmente a política de vistos em Honduras", ressalta o governo norte-americano no comunicado.
"Como parte dessa revisão, vamos suspender os serviços de vistos que não sejam urgentes, para os não-imigrantes, na seção consular de nossa embaixada em Honduras, a partir de 26 de agosto", indica o texto.
"Acreditamos firmemente que uma solução negociada é a forma apropriada para se avançar e que o Acordo de San José é a melhor solução", conclui o documento. A posição dos Estados Unidos em relação ao golpe vem sendo muito criticada. Muitos defendem que, apesar de o presidnete Barack Obama ter se manifestado contrário à investida militar, faltam gestos mais claros e sanções mais duras.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Fidel: Direita racista dos EUA impede avanços de Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está tentando realizar avanços positivos para seu país, mas é combatido a cada passo que dá por direitistas que o odeiam por ser negro, escreveu na terça-feira (25) o líder cubano Fidel Castro.
Em um novo artigo, Fidel disse que o presidente herdou muitos problemas de seu antecessor George W. Bush e que está tentando resolvê-los, mas que a "poderosa extrema direita não se resigna a nenhuma medida que em um grau mínimo diminua suas prerrogativas".
Para Fidel, Obama não pretende mudar o sistema político e econômico dos EUA, mas "apesar disso, a extrema direita o odeia por ser afroamericano, e combate o que o presidente faz para melhorar a imagem deteriorada do país".
"Não guardo a menor dúvida de que a direita racista fará o possível para desgastá-lo, ipondo obstáculos ao seu programa para tirá-lo do jogo por uma ou outra via, com menor custo político possível", disse o ex-presidente da ilha, no texto intitulado "Tomara que eu esteja enganado", publicado no site Cuba Debate.
O líder cubano disse ainda apoiar o projeto de reforma da saúde promovido por Obama, assim como o aumento do controle fiscal e os passos dados pelo presidente americano para reduzir as emissões de gases poluentes. Porém, destacou que nada disso "põe em questão o sistema de domínio capitalista imperialista".
No artigo, o cubano também escreveu que "Obama nasceu, se educou, fez política e foi bem-sucedido dentro do sistema capitalista imperialista dos Estados Unidos". Por conta disso, "não desejaria nem conseguiria mudar o sistema".
Segundo Fidel, a crise econômica, o conflito no Iraque e outros erros do ex-presidente americano, George W. Bush, tornaram possível a eleição de Obama "numa sociedade tradicionalmente racista" Muitos "se entusiasmaram com a ideia de que haveria mudanças na política externa dos Estados Unidos. No entanto, bastaria um elementar conhecimento da realidade para ninguém se iludir", acrescentou.
O ex-presidente escreve para meios estatais cubanos e tem criticado duramente Obama em certas ocasiões, ocasionalmente o elogia e também já disse que o observa rigorosamente para ver se é sincero com relação ao que disse sobre mudar a política do seu país com Cuba.
Vermelho

domingo, 23 de agosto de 2009

Venezuelana é eleita a Miss Universo

Stefania Fernandez, da Venezuela, foi eleita a Miss Universo no concurso realizado nesta noite em Nassau, nas Bahamas. A brasileira potiguar Larissa Costa, apontada como uma das favoritas, não chegou nem a se classificar entre as finalistas.
O Brasil não elege uma Miss Universo desde 1968, quando a baiana Martha Vasconcellos conquistou a coroa. Já a Venezuela, conquistou a coroa pelo segundo ano consecutivo.

As outras finalistas da disputa de 2009 foram: Miss República Dominicana, Ada Aimee de la Cruz, Miss Kosovo, Gona Dragusha, Miss Austrália, Rachael Finch, e Miss Porto Rico, Mayra Matos Perez.
A candidata eleita pelas concorrentes como a mais simpática é a da China, Wang Jingyao.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Afeganistão "vota" em meio a corrupção, fraudes e ameaças

"A vida que eu levava no Afeganistão desapareceu, os talibãs destruíram isso. Meu marido, meus filhos, meus irmãos e eu fugimos para o Paquistão sem nada, sabendo que haviamos perdido tudo", diz Shahla Lalee, uma advogada afegã exilada em Sydney, na Austrália, que chegou a Cabul nesta semana pela primeira vez em nove anos.
Por Mar Centenera, para o jornal El Público, reproduzido do Rebelión.
Como ela, muitos habitantes da capital recordam com terror o regime talibã, mas a democracia que imaginavam quando o mulá Omar foi derrubado em 2001 tem pouco a ver com a violência, a corrupção generalizada e a discriminação que as mulheres continuam sofrendo no país que foi nesta quinta-feira às urnas.
"Me envergonho do governo corrupto que há no meu país. Se não fosse por minha mãe, que continua vivendo em Cabul, não voltaria nunca mais ao Afeganistão", continua Shahla. Os números lhe dão razão. Em somente quatro anos, o Afeganistão passou do 24º país mais corrupto do mundo para entrar no Top 5 do índice divulgado pela organização Transparency International .
A corrupção grassa também na eleição presidencial e provinciana de hoje. A inexistência de um censo impede de se comprovar a idade e o domicílio das pessoas que se registram e a organização afegã Fundação para Eleições Limpas e Justas (FEFA) encontrou provas de compra e venda de títulos eleitorais falsos em 20% das seções eleitorais visitadas
Alguns estudantes terão o privilégio de votar sem ter chegado ainda aos 18 anos. Outros eleitores podem, em teoria, votar mais de uma vez.
A maioria dos eleitores duplicados são mulheres, já que as os familiares masculinhos puderam inscrevê-las e obter seu título eleitoral sem que elas estivesse presentes, simplesmente ditando seu nome ao responsável. Como resultado, em províncias como a de Logar, 72% do eleitorado é feminino, um dado muito acima do real.
Os habitantes de Cabul estão muito agradecidos a Karzai por este ter devolvido a calma e a liberdade nas ruas após décadas de guerra e opressão. Mas a paz parecia ontem um paradoxo. Ruas desertas. Lojas fechadas. Policiais nervosos e armados até os dentes em cada esquina do centro de Cabul.
Os talibãs ocuparam um banco de Cabul e o tiroteio duraou por muitas horas, aumentando a tensão.
Apagão informativo
O Ministério do Interior informou primeiro a morte de três talibãs e três policiais, mas logo depois voltou ao noticiário para negar as mortes dos seus policiais. Por sua vez, o porta-voz dos talibãs advertiu que outros 15 guerrilheiros estão na capital, preparados para atirar.
Muitos afegãos só souberam dos ataques realizados nesta quinta-feira após o fim do horário de votação, às 20h locais. O governo ordenou, por decreto, um "apagão" noticioso sobre qualquer incidente violento "para não assustar aqueles que desejassem votar".
As Nações Unidas tentaram, sem êxito, levantar a censura. "As pessoas precisam acessar as informações, não somente no dia das eleições, mas também nos dias posteriores. A credibilidade destas eleições está diretamente relacionada com a informação à qual tiverem acesso", declarou à agência Reuters o porta-voz da ONU no país, Aleem Siddique. "Não está claro que base legal tem o decreto, quando a constituição afegã garante a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa", acrescentou Siddique.
A ONU também criticou os pactos oferecidos por Karzai a alguns dos senhores de guerra mais poderosos do país. Em troca de postos nos ministérios, o comandante de etnia uzbeca, Abdul Rashim Dostum, o tadjique Mohamed Qasim Fahim e o hazara Muhamad Mohaqiq aceitaram dar seu apoio e o das comunidades que lideram a Karzai, que é da etnia majoritária pashtu
Poder às províncias
Entretanto, vários diplomatas ocidentais reconhecem, de forma anônima, que os senhores de guerra podem ser mais perigosos para "obter a pacificação" do Afeganistão fora do poder que dentro dele.
"Karzai está sacrificando a Justiça para obter estabilidade e manter-se no poder", adverte Mir Ahmad Joyenda, do Comitê de Relações Internacionais do parlamento.
Joyenda reconhece que Karzai não controla grande parte do país e que, cedo ou tarde, terá de ceder mais poder às províncias, "mas não a criminosos. E tampouco prematuramente, porque a corrupção dispararia".
Shahla está de acordo: "É muito difícil imaginar no poder pessoas que eu considero assassinas. Não acredito que possam ser convertidos em democratas. Por isso prefiro viver fora do país. Prefiro não ver isso".

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Jornalistas e intelectuais protestam por liberdade de expressão no Iraque

Na última sexta-feira (14/08), intelectuais e jornalistas participaram de uma manifestação na capital iraquiana - Bagdá - a favor da liberdade de expressão, após ameaças feitas contra um de seus colegas e a censura contra livros e conteúdos da Internet.
O protesto, segundo a AFP e a Folha Online, foi o primeiro desde a invasão do país por tropas internacionais lideradas pelos EUA e da queda do regime do ex-ditador Saddam Hussein, executado em 2006.
Cerca de 250 pessoas gritavam "sim à liberdade, não ao amordaçamento da imprensa". Os manifestantes se concentraram na rua Mutanabi, notoriamente conhecida por suas livrarias.
"Devido aos ataques de que são objeto, os jornalistas e empregados dos meios de comunicação perderam 247 de seus colegas [desde 2003] e os aqui presentes hoje querem dizer alto e forte que não se curvarão frente às ameaças e às intimidações", afirmava um comunicado do Observatório da Liberdade dos Jornalistas lido pelo jornalista Imad al Jafaji.
"Consideramos que a liberdade dos jornalistas deve ser reconhecida como um direito sagrado por todas as religiões e convenções internacionais", acrescentou.
A manifestação foi motivada por uma ameaça feita, segundo intelectuais iraquianos, por um deputado xiita contra um colega que havia acusado seu partido de envolvimento em um assalto a um banco de Bagdá.

A nova lei dos jornalistas no Iraque

No último dia 31 de julho, o governo do país sancionou uma lei com a intenção de proteger os jornalistas que atuam no Iraque. No entanto, entidades da categoria dizem que o texto aprovado é muito vago e torna o trabalho jornalístico suscetível a interferências do governo.
Um dos trechos mais contestados se refere a proteção de fontes anônimas que podem ser reveladas caso a Justiça requisite identificação. Em outro controverso parágrafo da lei diz que a liberdade de imprensa pode ser revogada caso a publicação de determinado "conteúdo caracterize ameaça aos cidadãos ou faça declarações provocativas ou agressivas".

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Igreja está "ultrajada" com Berlusconi

Igreja Católica afirmou que está "ultrajada e incomodada" com os escândalos envolvendo o primeiro-ministro da Itália

Da BBC Brasil

A crítica ao premiê foi feita em um editorial publicado na edição desta quarta-feira do jornal L’Avvenire, órgão da Conferência dos Bispos Italianos.
No artigo, o editor Dino Boffo afirma que a Igreja já "sinalizou o desconforto" com as revelações sobre a vida pública de Berlusconi.
"Me parece que as pessoas entenderam o desconforto, o ultraje, o sofrimento que tal abandono arrogante do estilo sóbrio nos causou", diz o editorial.
O partido político de Berlusconi depende fortemente do apoio dos eleitores católicos. A coalizão de partidos de centro e direita de Berlusconi venceu eleições locais em junho e o governo possui maioria no Parlamento.
Os escândalos envolvendo Berlusconi começaram em maio quando sua esposa Veronica Lario pediu divórcio acusando o premiê de um relacionamento com uma adolescente a quem presenteou com um colar no valor de 6 mil euros.
Desde então surgiram detalhes de festas realizadas com prostitutas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Aids ameaça 50 milhões de asiáticas

Cerca de 50 milhões de mulheres da Ásia correm o risco de se contaminar com o vírus da Aids por causa do comportamento sexual de seus maridos e namorados, disseram sanitaristas em relatório apresentado na terça-feira.
Mais de 90 por cento das 1,7 milhão de mulheres portadoras do vírus HIV na Ásia contraíram a doença enquanto mantinham relações estáveis e monogâmicas com homens que adotaram comportamentos sexuais promíscuos ou eram usuários de drogas injetáveis, segundo o relatório da Unaids (programa da ONU para o combate à Aids).
"Precisamos visar os homens que fazem sexo pago, usuários de drogas injetáveis, homens que fazem sexo com homens, que podem transmitir o vírus a suas parceiras", disse Jean D"Cunha, diretor regional do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres no Sul da Ásia, numa entrevista coletiva realizada durante uma conferência sobre Aids em Bali.
"Precisamos questionar as atitudes, valores e comportamento, e transformá-los para que as mulheres fiquem menos vulneráveis ao HIV/Aids."
Embora a questão da desigualdade de gênero costume ser ignorada ou mesmo alvo de piada, os especialistas dizem que o assunto é sério quando se trata de Aids.
As prostitutas, por exemplo, têm pouco poder de barganha e se veem obrigadas a aceitar quando seus clientes recusam o uso de preservativos. Enquanto isso, as esposas desses homens também não têm poder para exigir que seus maridos usem os preservativos, mesmo sabendo que eles têm um comportamento sexual arriscado.
Embora haja progressos na luta contra a Aids em algumas frentes, as mulheres continuam sendo as maiores vítimas. Elas representam hoje 35 por cento de todas as infecções entre adultos na Ásia. Em 1990, eram apenas 17 por cento.
Maire Bopp-Allport, diretora da Fundação da Aids nas Ilhas do Pacífico, contraiu a doença do seu namorado por volta de 1996. Hoje, é uma figura conhecida na luta global contra a doença.
"No âmago da questão estão milhares de anos de educação para os nossos homens de que é OK achar que as mulheres estão lá simplesment para servi-las e fazer tudo o que eles querem. Precisamos criar uma nova cultura em que isso não seja OK", afirmou ela à Reuters.
"Eles precisam conseguir pensar que o abuso de uma mulher é o abuso das suas filhas, quando suas filhas virarem mulheres", acrescentou.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Correa inicia 2º mandato para radicalizar revolução

O presidente equatoriano, Rafael Correa, inaugura hoje um novo mandato de quatro anos com a promessa de ''radicalizar a revolução bolivariana''. Em seu primeiro mandato, ele multiplicou os investimentos em programas sociais, renegociou mais de um terço da dívida externa e foprçou petroleiras estrangeiras a modificar seus contratos para ampliar os ganhos do Estado.

Antecedido por três presidentes que não conseguiram concluir seus mandatos, Correa pôs fim a dez anos de deposições, instabilidade, revoltas indígenas e desencanto com a democracia no Equador.

Em 2005, um ano antes de Correa assumir a presidência, apenas 43% dos equatorianos apoiavam a democracia, segundo o instituto Latinobarometro. Com sua ascensão, o índice subiu para 54% e, no fim do primeiro ano de mandato, atingiu 65%.

''Foi um fenômeno único na região'', disse ao Estado a diretora do Latinobarometro, Marta Lagos. ''O primeiro mandato de Correa marcou as pazes entre os equatorianos e a democracia, depois de uma década absolutamente turbulenta no país.''

Quando assumiu, Correa prometeu acabar com o que chamou de partidocracia, redefinir as relações internacionais de seu país e combater a corrupção no congresso. Dois anos e meio depois, sua força política, a Aliança País, desbancou os partidos tradicionais, o Equador rompeu com seu alinhamento histórico com Washington - o país não renovou a permissão para que os Estados Unidos continuasse utilizando uam base militar em seu território - e a chamada Assembleia Legislativa substituiu o antigo poder legislativo.

Neste novo mandato, ele assegura que as prioridades já estão definidas há tempos: ''os pobres, os jovens e nossos povos ancestrais''.

No decorre do mandato, Correa perdeu o apoio de alguns setores indígenas e sindicais por ter autorizado a extração de minérios em grande escala. Mas ele mantém o índice de popularidade acima dos 50%.

A data escolhida para sua posse não foi casual. Hoje se festeja no país andino o bicentenário da independência. Além disso, a cidade de Quito abrigará, nesta segunda, uma nova cúpula da Unasul (União de Nações Sulamericanas), da qual Correa receberá a presidência pro tempore.

A grande maioria dos presidentes da região, portanto, estará em Quito, incluindo Manuel Zelaya, o presidente deposto de Honduras. O governante da Colômbia, Alvaro Uribe será uma das poucas exceções. Em março do ano passado, o Equador rompeu relações com Bogotá, após a Colômbia violar a soberania territorial ao atacar um acampamento das Farc.

Cerimônia indígena

Na véspera da sua posse, Correa viajou a La Chimba, 70 km ao norte de Quito, para uma cerimônia de purificação indígena, na qual aceitou um cajado de comando, feito de madeira.

Evo Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, e Rigoberta Menchu, guatemalteca indígena vencedora do Prêmio Nobel da Paz, estavam ao lado do presidente do Equador.

Vestindo um poncho vermelho, Correa pediu ao povo indígena apoio pacífico para ajudar a ''radicalizar'' seu governo, ignorando ''balas e botas''.

Na cerimônia, Menchu disse que é necessário que ''existam de verdade na América Latina os Estados plurais, que reconheçam a diversidade e a promovam, pois só assim entenderemos também a diversidade natural de nossa mãe terra'', disse.

Já Morales lembrou que, ao longo da história, ''existiram impérios que tentaram o extermínio dos povos indígenas'' e que ainda hoje se trava ''uma batalha permanente contra novos impérios, que querem impor políticas alheias a nossas vivências''.

''Mas os povos indígenas nunca morreram apesar dessas políticas de extermínio. Estamos trabalhando unidos e organizados'', assegurou o presidente boliviano entre o aplauso dos presentes ao assinalar que ''há impérios, grupos e famílias que não querem deixar seu poder político e econômico''.

Por fim, Correa, que fez a primeira parte de seu discurso na língua indígena quíchua, convocou o povo equatoriano a levantar uma nova bandeira ''de esperança'' e um novo hino ''à alegria, à solidariedade, ao amor repartido por igual entre todos em nome de uma nova democracia''.
Fonte:Vermelho

sábado, 8 de agosto de 2009

Hugo Chávez ordena volta de embaixador

Colômbia e Venezuela trocaram acusações por acordos com Farc e EUA. Chávez diz não planejar romper relações entre países.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou na noite de sexta-feira (7) o retorno a Bogotá de seu embaixador, Gustavo Márquez, que foi chamado para consultas na semana passada quando congelou as relações bilaterais com a Colômbia. "Claro que não temos em nossos planos uma ruptura das relações com a Colômbia", afirmou o presidente venezuelano ao anunciar o retorno do diplomata.
Na semana passada Chávez decidiu congelar as relações com Bogotá e retirou seu embaixador do país por causa das declarações do governo colombiano sobre um suposto fornecimento de armamento venezuelano à guerrilha depois da apreensão em um acampamento das Farc de lança-foguetes antitanques, que seriam propriedade da Venezuela.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Hillary e Biden armam 'motim' contra Obama

Bombas-relógio, previstas para explodir no futuro, distribuídas ao longo do caminho pelo vice-presidente e pela secretária de Estado mostram o presidente Obama, nos meses iniciais do primeiro mandato, já no olho do alvo de um movimento premeditado de desconstituição, aí posto pelos principais membros de seu gabinete.
Por Alexander Cockburn, para o CounterPunch Diary
No plano superficial, Obama comanda uma equipe indisciplinada de governo; num plano mais realista (e mais sinistro), enfrenta motim comandado por duas figuras políticas que, há menos de um ano, não faziam outra coisa além de dizer e repetir o quanto suas pessoais qualificações para ocupar o Salão Oval seriam infinitamente superiores às do jovem senador de Illinois.
O grande perigo para Obama, que se vê bem evidente nas bombas-relógio (a metáfora é boa, porque são bombas-relógio políticas, não diplomáticas), não é nem o ridículo nem a confusão no plano internacional sobre quais, afinal, são as políticas de governo dos EUA. O perigo está no massacre direto e claro de sua presidência, por um lobby israelense doméstico que já está tão absolutamente fora de controle que já expõe hoje como ridícula a pífia tentativa de Obama para deter as construções nas colônias palestinas – ou para conter as agressões israelenses por qualquer outro meio.
Vejam Joe Biden, para começar. Há três semanas, deu luz verde a Israel para bombardear o Irã; foi suavemente admoestado pelo presidente. Na hora, foi como mais uma gaffe, numa vida de gaffes mais ou menos cômicas, perpetradas com intuito de autopromoção, para obter vantagem política pessoal.
Há mais do que isso, como se viu depois; tudo é mais grave. Imediatamente depois de Obama voltar de Moscou, o ar ainda adocicado na esperança de uma nova era de confiança e cooperação, Biden embarcou para Ucrânia e Geórgia, onde disse a economia russa estaria "atrofiada"[1] e não teria futuro. Em Tbilisi, disse no parlamento georgiano que os EUA continuariam a ajudar a Geórgia a "modernizar" o aparato militar; que Washington "apoia integralmente" a aspiração da Geórgia a unir-se à Otan; e que ajudaria Tbilisi a alcançar os padrões da aliança. As declarações geraram reações furiosas de Moscou, que exigiram sanções contra qualquer Estado que trabalhe para rearmar a Geórgia[2].
A Geórgia é fator importante – e pode ser fator vital – no caso de Israel decidir atacar o complexo nuclear iraniano.
A rota aérea de Israel ao Irã é geograficamente e diplomaticamente complicada. Por sua vez, a Geórgia está magnificamente bem situada como base de decolagem para esse tipo de aventura. Israel há muito tempo está profundamente envolvida em processos para rearmar e treinar forças armadas georgianas. O presidente Saakashvili tem-se vangloriado de que seu ministro da Defesa, Davit Kezerashvili, e Temur Yakobashvili, ministro responsável pelas negociações sobre a Ossétia do Sul, viviam em Israel antes de mudar-se para a Geórgia; e acrescentou: "A paz e a guerra estão nas mãos dos judeus israelenses."
Nos calcanhares de Biden em trabalho de proxeneta em Tbilisi, a secretária de Estado Clinton, por sua vez, tomou o rumo da Tailândia, para encontro com líderes asiáticos. Lá, em programa de televisão & amenidades, disse que "contra um Irã nuclear os EUA podem ter uma 'defesa guarda-chuva'" (de fato um 'guarda-chuva' nuclear para cobrir Israel, Egito e Arábia Saudita).
O lobby israelense tem trabalhado muito, já há alguns anos, para promover a ideia de um guarda-chuva nuclear dos EUA. O principal caixeiro-viajante desse negócio sempre foi Dennis Ross, hoje encarregado da política de Obama para o Oriente Médio, no Conselho Nacional de Segurança.
Em campanha, ano passado, Clinton várias vezes ofereceu a ideia de um 'defesa guarda-chuva' como exemplo de iniciativa política que ela – mas não Barack Obama, noviço em questões de negócios externos – teria competência para fazer avançar.
Sob qualquer ponto de vista racional, o "guarda-chuva nuclear" é ideia escabrosa, que cheira à teologia da era da alta Guerra Fria e ao vocabulário de "primeiro ataque", "segundo ataque", "contenção estável", "escalada controlada" e "destruição mútua garantida", usado para vender as escaladas dos EUA na produção de armas nucleares, desde Kennedy e o falecido Robert McNamara (“the Missile Gap”) a Reagan (“Star Wars”).
De fato, como disse-me um veterano do Pentágono essa semana, "toda a questão nuclear, nos discursos do novo governo, está sendo reencenada, como reprodução mascarada da Guerra Fria e da Destruição Mútua Segura; tudo isso, a partir de um horrível processo de exagerar o perigo de uma ou duas bombas atômicas iranianas, que os persas provavelmente não têm competência para produzir e, com certeza quase absoluta, são incompetentes para detonar.”
A política "externa" de Biden e Clinton é feita, exclusivamente, de: (1) recriar a mesma velha Guerra Fria (com a 'novidade' de, hoje, a ameaça vir do Irã nuclear), pelas mesmas velhas razões: aumentar ao máximo o orçamento para a defesa doméstica; e (2) manter sem alteração os processos, já velhos de 60 anos, de apoiar o imperialismo israelense e pelas mesmas velhas razões pelas quais todos os presidentes, de Truman[3] a Bush Filho[4] (exceto talvez Eisenhower) sempre agiram: para atrair o dinheiro e os votos do lobby pró-Israel.
Em relação ao dinheiro, Obama fez exatamente o que todos sempre fizeram, e fê-lo sempre desde o início: no início da campanha, ao (a) aceitar o dinheiro das famílias Crown e Pritzker de Chicago; e no início do governo, ao (b) nomear Rahm Emanuel – primeiro nomeado de toda a equipe. (a) e (b) dificilmente serão movimentos desconectados um do outro.
Também desde o início da presidência, Obama trabalhou como caixeiro viajante do lobby israelense. A indicação de Mitchell e as mordidas-afagos sobre o fim das construções israelenses em território palestino foram cosméticas, ossos atirados ao número crescente de eleitores nos EUA indignados com a limpeza étnica na Palestina e a expulsão dos árabes da Terra Santa.
Obama tem, sim, estratégia coerente: manter o fluxo contínuo e crescente de dinheiro para a Defesa, mas sem fazer tanto barulho quando os 'antigos' fizeram contra os velhos inimigos de Guerra Fria (e.g. Rússia e Cuba).
O debate sobre o F-22 – até aqui o primeiro e único debate no qual Obama mostrou alguma firmeza – de modo algum é tentativa para conter gastos militares, posto que o orçamento para a Defesa, de fato, já aumentou; com o fim da fabricação do jato F-22, o dinheiro foi canalizado para fabricar o F-35, ainda mais destrutivo, e para ocultar que o presidente concorda com o orçamento da Defesa nos termos nos quais sairá do Congresso.
A brecha pela qual qualquer novo presidente pode introduzir alguma mudança significativa na política externa só permanece aberta por três meses, os primeiros de cada mandato, antes de que a oposição tenha tempo para organizar-se e firmar-se. Obama não usou a oportunidade e nomeou gente que nada queria ou quer ou algum dia quis, mudar, como Ross. Como sugerem as calculadas gaffes de Biden e Clinton, para não mencionar a arrogância teatral de Netanyahu e seus associados políticos, aquela pequena janela de oportunidades já está fechada.
Teria sido assim tão difícil sinalizar alguma mudança de rota? Não. De fato, não. Obama teria dado novo ânimo ao planeta se tivesse claramente abandonado as ideias do governo Bush expostas no documento “National Defense Strategy of the United States” em 2005, sobre a decisão de os EUA "atacarem preventivamente qualquer país "onde, quando e conforme os EUA considerem necessário". Como escreveu William Polk, conselheiro do Departamento de Estado para o Oriente Médio da era Kennedy, ano passado: "Enquanto aquele documento for o único projeto existente para a política externa dos EUA, o governo iraniano não cometerá a estupidez de desistir de fabricar sua bomba atômica".
Mas Obama, cercado defensores do expansionismo da Otan veteranos da era Clinton, e como bem claramente indica o seu discurso em Accra, empurrado pela via errada por uma visão inamovivelmente convencional sobre como o mundo funciona, está sendo derrotado pela pressão dos fatos. Primeiro, resgatou os grandes bancos. Depois, transferiu a guerra, do Iraque para o Afeganistão. Os grandes lobbies já sabem que Obama já está posto nos trilhos.
E aí estão os motins de Biden e Clinton, conduzidos a favor do lobby israelense e planejados para assumir o controle do governo tão logo a popularidade de Obama comece a cair. Quando foram publicados os resultados da última pesquisa Rasmussen presidencial, mostrando queda na popularidade de Obama, houve júbilo nos jornais em Telavive.
Além de tudo isso, é impossível subestimar a vaidade dos políticos. Biden é excepcionalmente vaidoso. É possível que acalente algum sonho louco de desafiar Obama nas eleições de 2012, impulsionado pelo dinheiro do lobby israelense que Biden consiga afastar de Obama.
E é possível que Clinton-marido esteja lembrando Clinton-secretária-de-Estado de que ele próprio chegou à Casa Branca em 1992 em boa parte porque o lobby israelense voltou-se contra George Bush Pai. O segundo princípio ensina que não existe política exterior, nem em governos democráticos nem em ditaduras – como se sabe pela "Lei de Thalheimer"
*. A política – qualquer política – é sempre doméstica.
Fonte: Vermelho

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Irã autoriza 2º mandato de Ahmadinejad

BBC Brasil Khamenei endossou formalmente Mahmoud Ahmadinejad como vencedor da eleição presidencial realizada no dia 12 de junho
Da BBC Brasil
O apoio formal do aiatolá ocorre dois dias antes da posse de Ahmadinejad para seu segundo mandato.A formalização ocorre ainda em meio a acusações de que oposicionistas que protestaram contra o resultado das eleições, em junho, teriam sido torturados na prisão.
Mais de cem oposicionistas, entre eles figuras importantes de antigos governos reformistas, foram julgados no sábado por acusações como vandalismo, tumulto e conspiração.
"Julgamento de fachada"
A principal acusação de tortura partiu do candidato derrotado à Presidência Mir-Hossein Mousavi. No domingo, ele disse que as confissões apresentadas pelos réus no julgamento foram obtidas sob "tortura medieval".
No julgamento, os réus disseram à corte que as alegações de fraude nas eleições eram "infundadas".
Segundo o correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, a televisão estatal mostrou um ex-vice-presidente agradecendo a promotoria por ter mostrado a ele seus os erros em suas atitudes.
Outro importante nome da oposição iraniana, o ex-presidente Mohammad Khatami, criticou o julgamento e disse que as confissões dos réus foram forçadas e são "inválidas".
Em seu website, Khatami afirmou que o "julgamento de fachada" vai prejudicar a confiança no regime islâmico do Irã. "O que ocorreu é contra a Constituição, as leis normais e os direitos dos cidadãos", disse Khatami, que governou o Irã de 1997 a 2005. "O principal problema com este julgamento é que ele não foi realizado em sessão aberta. Os advogados e os réus não foram informados sobre o conteúdo dos casos antes do julgamento", afirmou o ex-presidente.
O julgamento recebeu críticas até mesmo de Mohsen Rezai, o candidato conservador que também disputou as eleições de junho. Rezai disse que as pessoas que atacaram os manifestantes nos protestos após as eleições também deveriam ser julgadas.
Fotos do julgamento distribuídas pelas agências de notícias iranianas mostram os réus sentados usando uniformes de prisão e cercados por guardas.
A imprensa estrangeira, incluindo a BBC, tem acesso restrito à cobertura dos acontecimentos no Irã.
Os protestos que se seguiram à reeleição de Ahmadinejad foram as maiores manifestações públicas no Irã desde a revolução de 1979, que levou ao poder o atual regime islâmico.
Pelo menos 30 pessoas morreram e centenas foram presas.
Grupos da oposição seguem falando em fraude na votação e acreditam que o número de mortos e prisioneiros seja maior.
Na última terça-feira, cerca de 140 dos detidos foram libertados.
Mas outros 200 acusados de crimes mais graves ainda estão presos sem julgamento.